Coincidência? Gradiente lança novo tablet junto com Apple; ações das empresas caem

Assim como a clássica histórica de Davi e Golias, empresa brasileira enfrenta nos últimos meses uma acirrada briga com a gigante de tecnologia dos EUA

Paula Barra

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SÃO PAULO – Assim como a clássica história de Davi e Golias, a Gradiente (IGBR3) vem enfrentando nos últimos meses uma acirrada disputa com a gigante norte-americana Apple. Embora ainda seja cedo para antecipar um vencedor, está claro que a brasileira não quer ficar para trás na história. Difícil saber se foi mero acaso, mas a questão é que a Gradiente escolheu para lançar seu novo tablet, descrito pela própria empresa como “o mais rápido do mundo com 7 polegadas”, um dia antes do lançamento dos aparelhos da Apple nos Estados Unidos. A expectativa é que a pré-venda ocorra a partir do dia 25 de outubro, a R$ 999.

Nesta terça-feira, foi a vez da Apple lançar suas novas gerações do iPad e iPad mini na Califórnia, além das versões mais atuais do MacBook Pro e Mac Pro. O iPad Air, quinta geração do tablet, chega ao mercado no dia 1° de novembro – o Brasil ainda não está na lista dos primeiros países que irão receber o produto – custando a partir de US$ 499 (R$ 1.083, de acordo com a cotação do Banco Central do Brasil de hoje).

O interessante é que, além da proximidade dos lançamentos, a reação do mercado foi a mesma: morro abaixo. A questão aqui não é discutir a tecnologia usada em ambas as marcas (uma vez que vivem em mundos completamente diferentes). O ponto é que, apesar do otimismo em torno dos últimos lançamentos, os novos produtos do setor de tecnologia parecem não ter agrado tanto o mercado como se imaginava. E a escolha (ou não) da data parece não ter surtido um efeito muito agradável no mercado.

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Como de costume, as ações da Apple não responderam tão animadamente quanto o público aos lançamentos. Desde a primeira versão, a alta do papel nunca passou de 1%. Nesta sessão, os papéis chegaram a cair 2% na Nasdaq e fecharam em leve baixa de cerca de 0,30%, em torno de US$ 520,00.

No mesmo sentido, os papéis da Gradiente, que são negociados na BM&FBovespa, caíram 2,07% nesta sessão, a R$ 6,15. Vale mencionar que o lançamento do tablet da empresa foi divulgado ontem à noite, ou seja, sua repercussão ocorreu neste pregão.

Além da reação similar – ambas as ações caíram -, as empresas têm outras particularidades interessantes: a Gradiente briga na Justiça brasileira contra a Apple para conseguir exclusividade da marca IPHONE. Com uma dívida beirando os R$ 400 milhões, a empresa conta com essa vitória para tentar virar o jogo e sair da recuperação extrajudicial. No processo aberto no Rio de Janeiro, a Gradiente perdeu o direito exclusivo da marca, mas em São Paulo, a decisão ainda corre na Justiça. E, ao que tudo indica, não deve sair tão cedo.

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Em meio às indecisões, o humor da brasileira não deve estar dos melhores. Entretanto, sustentar essa briga não é tarefa fácil para a Gradiente, que nos últimos anos mergulhou numa profunda crise e se desdobra para conseguir voltar a ser a gigante brasileira de eletrônicos que já foi outrora. Já em outro mundo vive a Apple, que vale no mercado nada menos do que US$ 455,26 bilhões (cujo tamanho equivale a uma Ambev (AMBV4), Petrobras (PETR3; PETR4), Vale (VALE3; VALE5), Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) – as cinco maiores empresas da Bovespa).