Publicidade
SÃO PAULO – A incapacidade da Petrobras (PETR3; PETR4) em reajustar seus preços já é tema recorrente. Desde o começo da sua gestão, o PT vem usando a estatal para fins políticos. E de olho em uma inflação já em patamar muito elevado, vem segurando o preço do combustível em nível bem abaixo do mercado. O que poucos conhecem, no entanto, é o desdobramento disso em outros meios.
Na véspera, a Eucatex (EUCA4), fabricante de painéis de madeira e vernizes controlada pela família Maluf, divulgou seu resultado do quarto trimestre. A empresa viu o custo dos produtos vendidos crescer 8%, para R$ 207,2 milhões entre os meses de outubro e dezembro do ano passado. O interessante disso foi a explicação da empresa para o ocorrido: além da desvalorização do real frente ao dólar, os custos com matérias-primas e margens operacionais da companhia foram impactadas pela política de preços da Petrobras.
Em nota, a empresa traz uma crítica explícita à estatal: “a Petrobras tem alterado a política de preços de itens que não têm impacto direto sobre a inflação e que são importantes na composição de custos da empresa. Dentre os insumos, destacam-se, principalmente, solventes em geral e ureia. Os dois têm apresentado correções de preços que não acompanham os parâmetros internacionais”.
Continua depois da publicidade
Em entrevista, o diretor de relações com investidores da Eucatex, José Antônio, comentou que, como a Petrobras não tem conseguido repassar os preços, o que ela tem feito é aumentar todos os produtos que não têm tanto impacto na inflação. Um desses é o óleo combustível, por exemplo, que sofreu um reajuste de 15% no final do ano passado, disse.
Ou seja, essa incapacidade da estatal de repassar os preços de gasolina e diesel vem empurrando repasses irreais de preços sobre outros produtos, em uma tentativa de compensar a ingerência política, comentou a casa de research Empiricus. Uma ingerência política que tem deixado a estatal de calças curtas.
O resultado disso tem sido claro: uma sistemática destruição de valor da Petrobras. No início deste mês, as ações da estatal bateram no patamar mais baixo desde 2005, com queda de 75% acumulada desde a máxima de 2008 – logo após a descoberta do pré-sal – para 2014. Isso fez com que no período a perda em valor de mercado alcançasse R$ 268 bilhões, ou seja, equivalente a uma Ambev (AMBV3).