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Verde Agritech amplia produção e investe em logística

Empresa brasileira de fertilizantes traça cenário promissor para os negócios

Fernando Lopes

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O risco de ruptura de parte das importações brasileiras de fertilizantes gerado pela invasão russa na Ucrânia beneficiou as empresas que produzem o insumo no país, e a Verde Agritech foi uma das que aproveitaram o cenário para fortalecer seus negócios. A companhia aumentou a produção, promete iniciar uma nova expansão nos próximos meses e também tem em curso um projeto logístico para ampliar seu raio de atuação.

Fundada pelo empresário Cristiano Veloso em 2005, a Verde, que tem ações negociadas na bolsa de Toronto, no Canadá, conta com uma fábrica em São Gotardo, na região do Triângulo Mineiro. O carro-chefe da empresa é um fertilizante mineral composto por potássio, silício, magnésio, cobalto, zinco e manganês, produzido a partir do saltito glauconítico, uma rocha sedimentar com alto teor de glauconita.

O insumo é uma alternativa aos nutrientes potássicos tradicionais, e a Verde viu a demanda aumentar após a invasão russa. A disparada dos preços dos fertilizantes em geral derivada do conflito maximizou resultados em 2022, mas mesmo após a queda das cotações, que se aprofundou este ano, houve uma mudança de patamar.

Nos nove primeiros meses de 2023, a receita bruta da empresa somou pouco menos de R$ 120 milhões, metade do total registrado no mesmo período de 2022, mas ainda acima dos R$ 110 milhões de todo o ano de 2021. A debacle de preços também reduziu o Ebitda e levou a Verde ao prejuízo de janeiro a setembro, quando o volume de vendas chegou a 323 mil toneladas, mas a estabilização do mercado em curso tende a ser refletida nos resultados deste e dos próximos trimestres.

Assim, os projetos de investimentos continuam mantidos, segundo Lucas Brown, vice-presidente da companhia. Com duas plantas rodando em São Gotardo, a capacidade de produção da fábrica chegou a 3 milhões de toneladas por ano, e nos próximos meses deverá começar a ser implantada mais uma unidade, que elevará a capacidade para 13 milhões de toneladas por ano. O aporte previsto na nova planta chega a R$ 275 milhões, e deverá ser feito com recursos próprios.

Lucas Brown, vice-presidente da Verde Agritech (foto: Divulgação)

Na área de logística, lembrou Brown, a Verde já teve autorização da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) para a construção de um ramal ferroviário no Triângulo Mineiro com capacidade para escoar 50 milhões de toneladas por ano. Com isso, afirmou o executivo, a empresa poderá ampliar sua conexão com polos agrícolas e consolidar uma atuação nacional. O capex previsto na obra é de R$ 554 milhões, mas neste caso a estrutura de financiamento ainda está sendo montada.

O transporte ferroviário também tem vantagens ambientais em relação ao rodoviário, e Brown acredita que o projeto fortalecerá uma característica que já diferencia o fertilizante da Verde. Diferentemente de outras fontes de potássio, o produto da companhia não tem cloro em sua composição e pode reduzir a pegada de carbono dos produtores rurais. De acordo com o VP, a empresa está realizando estudos para mensurar o potencial de captura de carbono por tonelada do insumo aplicada.

Fernando Lopes

Cobriu o setor de energia e foi editor do semanário Gazeta Mercantil Latino-Americana até 2000. Foi editor de Agro no Valor Econômico até fevereiro de 2023.