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Instituto Tecnológico Vale quer transformar pesquisa em produtos para aumentar independência

Organização financiada pela Vale aproveita problemas identificados pela mineradora como subsídio para pesquisa

Iuri Santos

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À frente de pesquisas baseadas em problemas identificados pela Vale, o Instituto Tecnológico Vale (ITV) tem buscado formas de aumentar a sua independência financeira em relação à mineradora com o desenvolvimento de produtos que podem ser utilizados por empresas terceiras que vão desde a própria mineração até o agronegócio.

Criado em 2010, o ITV recebe financiamento anual da Vale por meio do setor de pesquisa e desenvolvimento da empresa. Apenas em 2023, o investimento destinado ao instituto foi de R$ 34,9 milhões. Em contrapartida ao valor alocado, a mineradora tem acesso livre aos projetos e pesquisas desenvolvidas pela organização.

Como regra, qualquer projeto do instituto tecnológico tem a Vale na sua concepção: especialistas da empresa procuram o instituto a partir da avaliação de uma demanda e após passar por análises internas, como a expertise internalizada na companhia, o financiamento do projeto, e os ritos de governança, ele entra no portfólio do ITV.

É por meio desse processo que nascem algumas das inovações utilizadas pela Vale na exploração de minérios. Um dos exemplos é o modelo de previsão meteorológico desenvolvido pelo instituto, adaptável às particularidades regionais do Brasil. “Qualquer fornecedor de previsão meteorológica no Brasil usa o mesmo modelo de clima, do Rio Grande do Sul à Coréia, e não precisa de ser meteorologista para saber que não é a mesma coisa”, explica Guilherme Oliveira, diretor científico do Instituto Tecnológico Vale.

O modelo desenvolvido pelo instituto de pesquisa é uma das apostas para rentabilizar as pesquisas feitas em casa. Hoje, a Vale já utiliza o modelo, para o qual tem acesso livre, mas a ideia é que ele passe a ser comercializado como um produto para outras companhias. “O mundo inteiro se interessa por meteorologia. Desde pessoas até outras empresas que sejam impactadas pelo clima”, diz Oliveira.

Apesar da intenção de se tornar mais independentes financeiramente, o Instituto Tecnológico ainda não possui uma meta estabelecida de independência do financiamento da Vale. “Queremos que o ITV ganhe cada vez mais independência financeira, até para poder explorar outras fontes, mas não temos uma meta ainda. Estamos no momento de experimentar quais são os caminhos”, explica o diretor.

Além do produto na área de meteorologia, o instituto busca formas de embalar três novas pesquisas que devem começar a ser vendidas no mercado.

Um deles é uma solução de análise de qualidade do solo com foco em metabolismo do solo que quantifica os diferentes nutrientes, mas também a quantidade de carbono fixada na área. Essa pode ser uma solução interessante para empresas do agronegócio e da linha de revegetação, uma vez que análises de solo atuais pouco medem a quantidade de carbono que fica fixada no solo.

Uma outra pesquisa que deve virar um produto no ITV tem como foco a identificação de espécies silvestres que podem habitar um espaço que a Vale deseja explorar. Por meio de inteligência artificial, eles conseguem cruzar gravações de padrões sonoros emitidos por morcegos em cavernas com uma biblioteca de referência e identificar quais espécies habitam aquele lugar.

Todos os dados extraídos da pesquisa são compartilhados, mas eles de pouco servem para as companhias, que raramente querem fazer as análises dentro de casa. “Aí é onde a inovação entra. O produto que faz isso de maneira automática para as empresas é bastante interessante”, diz Oliveira.

As pesquisas desenvolvidas pelo ITV servem como subsídio a processos de licenciamento ambiental, planejamento e ações de campo da Vale e toda sua produção intelectual é propriedade da mineradora. Não à toa, a empresa já fez altos investimentos desde a sua fundação: o Instituto Tecnológico Vale (ITV) já recebeu R$ 824,43 milhões em aportes para pesquisa, sem uma verba fixa definida.

“O total a ser investimento anualmente no ITV segue o processo de discussão de alocação de capital da Vale, onde são definidas as premissas de custeio, investimento, pesquisa e desenvolvimento para toda a companhia”, explica Hugo Barreto, vice-presidente de Clima, Natureza e Investimento Social da Vale. “A definição de portfólio de projetos complementa essa visão e, no caso do ITV, ocorre a partir das discussões de planejamento de longo prazo e são finalizadas nos ciclos anuais de priorização e seleção de propostas de pesquisa e desenvolvimento”, diz.