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SÃO PAULO – A conta-salário aumentará “muito” a competição entre os bancos. A afirmação foi feita pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, durante audiência pública realizada na última terça-feira (19) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), no Senado.
Essa é uma das propostas para que haja diminuição do spread – diferença entre a taxa que o banco cobra ao emprestar os recursos ao cliente e a taxa que ele paga ao adquirir o dinheiro -, que, por sua vez, responde pelos altos juros bancários.
Entre as demais, está a criação de um cadastro de bons pagadores, que garantirá a incidência diferenciada de taxas para os correntistas.
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Funcionamento
A conta-salário funciona desde 02 de abril deste ano. O método consiste na isenção de tarifas em transferências para bancos diferentes, mas com a mesma titularidade, em cinco saques mensais, em duas consultas de saldo e duas retiradas extratos. O uso de talões de cheque, os depósitos que não venham da própria empresa do trabalhador e outros serviços não estão liberados.
Vale lembrar que a medida abrange contratos feitos depois do dia 05 de setembro último, por empresas privadas. Para os realizados antes disso, o prazo para a adaptação dos bancos vence em 02 de janeiro de 2009.
Ganhos dos bancos e juros
Nesta quarta-feira (20), Meirelles vai à Comissão de Defesa do Consumidor, na Câmara Federal, também para tratar dos ganhos dos bancos.
O tema começou a ser levado em discussão pelos parlamentares – tanto deputados quanto senadores – após levantamento da Austing Ratings mostrar que a receita com tarifas bancárias cresceu quase oito vezes desde o Plano Real e dobrou no governo Lula, atingindo R$ 52,8 bilhões em dezembro do ano passado.
Vale lembrar também que pesquisa divulgada recentemente pela Fundação Procon de São Paulo mostrou que o consumidor continua sem sentir no bolso os constantes cortes da taxa básica de juros, a Selic, que está agora em 12% ao ano.
Em junho, tomando como base o mês de maio, os juros do cheque especial e do empréstimo pessoal praticados pelos dez maiores bancos do País permaneceram em 8,29% e 5,37% ao mês, respectivamente.