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Os céticos de plantão continuam afirmando que estamos na beira da rampa de novo. Senão, vejamos… Honrando o título de “Dr. Doom” (Dr. Apocalipse), Nouriel Roubini disparou mais uma de suas previsões catastróficas: segundo ele, mais de 400 bancos norte-americanos irão falir e o sentimento de que a economia entrará em uma recessão será inevitável.
“O grande risco é que haverá uma desaceleração nos mercados que pode impactar o mercado de títulos, de ações e de crédito”, afirmou Roubini, famoso por antever a crise financeira de 2008, em entrevista à CNBC. “Irá parecer uma recessão, mesmo que não estejamos numa. As perdas de emprego têm se elevado, os números de postos de trabalho nos EUA irão mostrar isso. Não há crescimento do emprego no setor privado”, disse ele. “O consumo é fraco, as exportações são fracas e o setor imobiliário é fraco”, reiterou o economista.
Em contrapartida, os otimistas clamam que a situação é de gradativa manutenção da decolagem. Nesse sentido, a afirmação que se segue traz grande alívio: “mantemos nossa visão de que a economia dos EUA está pouco propensa à experiência de um duplo-mergulho e de que a economia global não regressará à recessão”. Esta é a visão da BlackRock, expressa após nova semana de volatilidade no mercado de ações.
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“Céticos de plantão afirmam |
Em seu relatório semanal, Bob Doll, executivo-chefe da gestora, avalia que, a despeito da série de indicadores decepcionantes vindos da economia norte-americana, três fatores foram bastante positivos por lá: os resultados surpreendentemente positivos quanto ao número de auxílio-desemprego no país; o afrouxamento nos financiamentos; e, por fim, o discurso do presidente do Fed (Federal Reserve), Ben Bernanke.
As chamadas “forças positivas”, segundo a análise da BlackRock, referem-se aos “fortes lucros corporativos, ao aumento de fusões e aquisições e aos altos níveis de emissão de dívida corporativa”. Além disso, cita a atitude do Fed – o qual “deixou claro que continuará a fazer o possível para permanecer flexível” -, também como uma desta forças. Fora dos EUA, Doll observa que “dados econômicos também continuam a vir um pouco mais fortes do que o esperado”.
Olhando já os efeitos de tais perspectivas por aqui, cabe bem observar o que se segue: apesar das incertezas com relação à economia norte-americana e do receio de uma recaída do mundo na recessão – o chamado “double dip” -, o Ibovespa deve superar os 80 mil pontos, avalia Pedro Martins, estrategista de renda variável para a América Latina do Bank of America Merrill Lynch.
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“Estimamos em 81 mil pontos o preço justo para o Ibovespa em 12 meses”, diz Martins. Se confirmada a estimativa, o Ibovespa teria espaço para subir 25% nesse período. “É duas vezes a taxa de juros, hoje de 10,75% ao ano.” Para Martins, esse número é justificado pela expectativa de crescimento do lucro das empresas do Ibovespa, de 30% em dólar neste ano e de 20% no ano que vem.
Ainda por aqui, os otimistas continuam bem ativos, conforme as notícias relacionadas. Como já previsto pelo mercado, a economia brasileira entrou em rota de acomodação no segundo trimestre, com um crescimento de 1,2%, abaixo, portanto, da forte expansão registrada no início do ano, quando o PIB cresceu 2,7%. Mas, apesar da “freada”, a economia brasileira segue crescendo acima de seu potencial, na avaliação de analistas consultados pela BBC Brasil.
O PIB potencial reflete a taxa pela qual um país pode crescer sem gerar inflação – ou seja, seu limite para um crescimento sustentável. Para muitos analistas, essa taxa no Brasil está em torno de 4,5% ou 5% de expansão anual. O crescimento do 2º trimestre, que ficou acima das expectativas do mercado e também do governo, poderá levar o PIB brasileiro a uma expansão acima de 7% este ano – o Banco Central estima um crescimento de 7,3%. “A economia fechará o ano com um crescimento acima do potencial, ainda mostrando sinais de excesso na demanda”, diz um relatório da agência de classificação de risco Moody’s.
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Nesse sentido, os últimos meses já foram mais fortes para o comércio, que traça estratégias para o fim do ano. Grandes redes de varejo esperam um aumento de vendas de 20% a 30% no Natal deste ano em relação ao de 2009. O crescimento da massa salarial, o avanço ainda constante do emprego e a oferta de crédito explicam a forte aposta do comércio, junto com a própria expansão física das empresas, que abriram novas lojas ao longo deste ano. A confirmação dos pedidos junto à indústria começa em outubro, mas algumas redes estudam antecipar encomendas para evitar prateleiras vazias no fim do ano.
Finalmente, corroborando os ventos a favor, a afirmação apoteótica que deve deixar todos felizes com o nosso desempenho: o Brasil passará nos próximos anos pelo melhor ciclo econômico de sua história – assim prevê o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. “Vamos vivenciar, na segunda década do século XXI, aquilo que foi chamado de ‘sonho americano’”, disse o executivo, ao palestrar em evento promovido pelo Ibef (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças). Segundo Trabuco, ao transformar pobres em consumidores, o Brasil está criando as condições para alcançar tal cenário. “Basta lembrar que 11 milhões de brasileiros irão viajar pela primeira vez de avião nos próximos 12 meses”, exemplificou.
Façam suas apostas. Com crise ou sem crise, a bola da vez é a nossa.
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Gil Ari Deschatre é professor da FGV e do Ibmec e escreve mensalmente na InfoMoney.
gil.deschatre@infomoney.com.br