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Em 25 de setembro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou a Medida Provisória nº 1.394/2026, que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa em todo o território nacional. A medida alcança tanto as apostas esportivas quanto os cassinos online, incluindo o famoso “jogo do tigrinho”.
O calendário é curto. Os novos depósitos ficaram vetados desde a publicação da MP, o prazo para sacar voluntariamente o saldo termina às 23h59 de 5 de outubro, e no dia 6 sites e aplicativos precisam sair do ar.
Um ponto importante: a MP precisa passar pelo Congresso em até 120 dias; se não for votada ou for rejeitada, a proibição perde a validade e volta a valer o modelo regulado anterior.
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Não vou entrar aqui no debate sobre se proibir é a melhor política pública. Quero olhar para o que interessa ao bolso de quem apostava. E o tamanho do problema impressiona: segundo o Comsefaz, as bets retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias só em 2025.
Quanto o brasileiro gasta com apostas
A pesquisa mais recente sobre o tema é da CNDL com o SPC Brasil. O levantamento estima que 50 milhões de pessoas nas capitais apostam em bets, com gasto médio mensal de R$ 213, que chega a R$ 314 nas classes A e B.
O dado oficial do governo vai na mesma direção. Segundo o Ministério da Fazenda, o apostador gastou em média R$ 164 por mês em 2025, considerando o total apostado menos os prêmios pagos. Ou seja, R$ 164 é o que efetivamente saiu do bolso, já descontado o que voltou em prêmios.
E esse dinheiro não sobrava.
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Entre os apostadores, 43% abriram mão de algum item de consumo para jogar, e 25% já deixaram de pagar alguma conta. Além disso, a maior concentração de apostadores está na faixa de renda entre R$ 1.518 e R$ 3.000. Para essa família, R$ 213 por mês pesa, e muito.
Vou usar R$ 213 como referência principal.
As premissas do cálculo
Para ser realista, escolhi o investimento mais simples e acessível: aplicações atreladas ao CDI, como o Tesouro Selic ou CDBs de bancos sólidos com liquidez diária, que contam com a proteção do FGC. Nada de promessa de rentabilidade mirabolante.
Hoje a Selic está em 13,75% ao ano, mas não faria sentido projetar 30 anos com os juros no patamar atual. O Boletim Focus projeta a Selic em 12% em 2027, 10,50% em 2028 e 10% em 2029. Por isso, considerei um CDI médio de 11% ao ano ao longo de todo o período, com desconto do Imposto de
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Renda pela tabela regressiva, aplicado a cada aporte conforme seu tempo de aplicação.
Também trago os valores em dinheiro de hoje, descontando uma inflação média de 4% ao ano. Esse é o número que realmente importa, porque mostra o poder de compra.
Quanto R$ 213 por mês pode virar
| Prazo | Total aportado | Acumulado líquido | Em dinheiro de hoje |
| 1 ano | R$ 2.556 | R$ 2.675 | R$ 2.572 |
| 5 anos | R$ 12.780 | R$ 16.221 | R$ 13.333 |
| 10 anos | R$ 25.560 | R$ 42.275 | R$ 28.559 |
| 20 anos | R$ 51.120 | R$ 155.314 | R$ 70.883 |
| 30 anos | R$ 76.680 | R$ 469.228 | R$ 144.672 |
Repare no efeito dos juros compostos: em 30 anos, o apostador teria colocado do próprio bolso R$ 76,7 mil, e os rendimentos somariam quase R$ 400 mil. O tempo trabalha a favor de quem investe, e contra quem aposta.
Para quem gastava menos ou mais que a média:
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| Gasto mensal | 10 anos | 20 anos | 30 anos |
| R$ 164 (média oficial) | R$ 32.550 | R$ 119.585 | R$ 361.283 |
| R$ 314 (classes A e B) | R$ 62.320 | R$ 228.961 | R$ 691.725 |
Valores nominais líquidos de IR.
O que dá para fazer com esse dinheiro
Como referência de preços atuais, o salário mínimo de 2026 é de R$ 1.621, e os carros zero quilômetro mais baratos do país partem de cerca de R$ 78 mil. Todos os exemplos abaixo usam os valores em dinheiro de hoje.
Números numa tabela dizem pouco até virarem algo concreto. Já no primeiro ano, os cerca de R$ 2,6 mil acumulados permitem trocar uma geladeira à vista ou, melhor ainda, quitar aquela dívida no cartão ou no cheque especial que cobra os juros mais altos do mercado.
Em cinco anos, com R$ 13,3 mil, surge algo que a maioria dos apostadores nunca teve: uma reserva de emergência de mais de 8 salários mínimos, capaz de garantir meses de fôlego diante de um desemprego.
Com uma década de disciplina, os R$ 28,6 mil colocam na garagem um carro seminovo pago à vista, sem um centavo de juros, ou viram a entrada de um imóvel pelo Minha Casa, Minha Vida.
Em vinte anos, os R$ 70,9 mil podem pagar a faculdade particular de um filho: o dinheiro que antes sumia no celular se transforma no diploma que muda a trajetória de uma família.
Em trinta anos, os juros compostos mostram toda a sua força. Com R$ 144,7 mil em poder de compra de hoje, é possível retirar cerca de R$ 480 por mês por tempo indeterminado, sem consumir o valor principal. Na prática, uma renda complementar para a aposentadoria construída com o mesmo dinheiro que, até pouco tempo atrás, ia parar nas mãos das casas de apostas.
A aposta que sempre paga
As bets venderam por anos a ideia de dinheiro rápido. Mas 37% dos apostadores tentaram parar ou reduzir e não conseguiram, e a matemática nunca esteve do lado deles. A casa sempre ganha.
Com a proibição, abre-se uma oportunidade. Se você apostava, não deixe esse dinheiro se perder em outro consumo impulsivo. Programe uma transferência automática para um investimento no dia em que o salário cai, exatamente no valor que ia para as apostas.
Em poucos meses você nem vai sentir falta, e em alguns anos vai olhar para trás e ver um patrimônio que antes escorria pelo celular.
A única aposta com retorno garantido é a que você faz no seu próprio futuro.
Até porque, como já dizia a Salomão em Provérbios 13:11: “A fazenda que procede da vaidade diminuirá, mas quem a ajunta pelo trabalho terá aumento.”