Jackson Hole: por que simpósio que reúne banqueiros e economistas é feito em Wyoming?

Criado para atrair Paul Volcker nos anos 1980, simpósio do Fed se tornou um dos eventos mais influentes da política monetária global e estreia neste ano sob o comando de Kevin Warsh

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O simpósio anual do Federal Reserve (Fed) começa nesta quinta-feira (27) e segue até sábado (29). O evento, que reúne economistas, participantes do mercado financeiro, acadêmicos, representantes do governo dos Estados Unidos e jornalistas, é realizado há mais de 40 anos em Jackson Hole, no Estado de Wyoming. Mas nem sempre foi assim.

Antes de ser transferida para o Jackson Lake Lodge, em 1982, a conferência era realizada em Kansas City. Além da cidade do Missouri, algumas edições também ocorreram em Vail e Denver, no Colorado, com foco em temas ligados ao setor agrícola.

Segundo relatos históricos, a mudança para Jackson Hole foi uma estratégia do Federal Reserve Bank de Kansas City para atrair o então presidente do Fed, Paul Volcker, para a reunião anual. De acordo com a versão mais conhecida da história, Volcker raramente recusava convites para locais onde pudesse pescar durante os intervalos dos compromissos.

A estratégia deu certo. O simpósio foi realizado em Jackson Hole pela primeira vez em 1982, com a presença de Volcker. A partir dali, o encontro deixou de ter um caráter predominantemente regional e passou a atrair autoridades monetárias de todo o mundo. Desde então, representantes de cerca de 70 países já participaram do evento.

A região também é conhecida pela abundância de vida selvagem, incluindo alces, ursos, lobos e diversas espécies de aves, tornando-se um destino popular para observação da natureza.

O que esperar da conferência deste ano?

Na edição deste ano, os investidores estarão atentos ao discurso do novo presidente do Fed, Kevin Warsh. Nesta sexta-feira (28), ele fará sua primeira grande apresentação pública à frente do banco central americano, em meio a questionamentos sobre sua visão para a economia e sua estratégia de comunicação.

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Segundo a Bloomberg, a pressão vem principalmente de Wall Street, após uma entrevista coletiva considerada confusa no mês passado, que provocou forte reação negativa no mercado de títulos públicos.

Desde então, analistas e economistas têm criticado o dirigente por, na avaliação deles, levar longe demais a tentativa de reduzir a comunicação do banco central com o mercado.

O ambiente ficou ainda mais sensível depois que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou de forma inesperada um programa de recompra de dívida pública para tentar reduzir os rendimentos dos títulos de longo prazo.

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À Bloomberg, uma copresidente de investimentos da Northern Trust Asset Management afirmou que Warsh quer falar menos, não mais. “Mas algum grau de transparência e explicações sobre por que você está onde está e o que está observando na economia hoje são demandas razoáveis do mercado”, disse.

Como foi o simpósio do ano passado?

A edição de 2025 de Jackson Hole marcou a última participação de Jerome Powell como presidente do Fed. Na ocasião, o evento foi influenciado pela pressão de investidores e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por cortes nos juros.

Ao mesmo tempo, a inflação permanecia acima da meta de 2%, e havia expectativa de novas pressões inflacionárias relacionadas às tarifas de importação impostas por Trump.

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Em seu discurso, Powell afirmou que a política monetária americana poderia precisar de ajustes diante da mudança no equilíbrio de riscos da economia. Após suas declarações, os investidores passaram a atribuir quase 90% de probabilidade a um corte de juros pelo Fed em setembro, ante cerca de 75% antes de sua fala.

Os efeitos foram sentidos também no Brasil. Após o discurso, o Ibovespa, que avançava cerca de 0,8%, ganhou força e passou a subir em torno de 2%, revertendo as perdas acumuladas ao longo da semana e encerrando o período no campo positivo.

Além das sinalizações sobre juros, Powell buscou tranquilizar os mercados em relação a possíveis interferências políticas nas decisões do banco central americano.

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Erick Souza
Mercados | Investimentos | Mundo