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Os preços do minério de ferro vêm surpreendendo positivamente no ano, mantendo-se próximos de US$ 110 por tonelada, aponta o Bradesco BBI, isso apesar de um consenso que ainda apontava para um mercado em processo gradual de enfraquecimento.
A visão dos analistas do BBI é de um mercado segue relativamente equilibrado, sustentado por uma demanda mais resiliente do que o temido, crescimento limitado da oferta e elevação relevante dos custos marginais, especialmente via frete e energia.
O banco espera que o crescimento da demanda em 2026 seja apoiado por maior consumo na Europa, Sudeste Asiático e Índia, com aumento combinado das importações em torno de 12 milhões de toneladas, enquanto na China a produção de aço deve permanecer praticamente estável no comparativo anual, apesar da tendência estrutural de queda no longo prazo.

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Já do lado da oferta, as grandes mineradoras sinalizam produção praticamente estável, e a maturação do projeto Simandou segue mais lenta que o esperado – com risco de ficar mais próximo de 10 milhões de toneladas em 2026, abaixo do consenso- e produtores de custo mais elevado enfrentam maior risco de cortes diante da pressão inflacionária.
“Ao mesmo tempo, o conflito no Oriente Médio tem impacto indireto relevante ao elevar fretes e preços de energia, empurrando o custo marginal do setor para cerca de US$ 100 por tonelada”, apontam os analistas.
O banco também destaca que o tema sobre os estoques portuários na China também permanece no radar, mas entende que o nível mais elevado reflete, em grande parte, questões específicas de mix e logística, e não uma deterioração relevante da demanda. “Em termos de qualidade, a tendência estrutural de maior alumina e fósforo na oferta global tende a elevar o valor relativo de minérios de maior qualidade, reforçando prêmios nesse segmento”, avalia.
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Para o BBI, a combinação de crescimento limitado da oferta, maturação mais gradual de novos projetos, custos marginais mais elevados e demanda resiliente cria um piso mais elevadopara os preços.
Assim, reforça a Vale (VALE3) como uma das principais beneficiárias dentro da cobertura, com recomendação de compra, dado seu perfil de qualidade de produto e, sobretudo, o elevado nível de hedge de frete e combustível para 2026, que reduz significativamente a exposição à inflação de custos e permite maior captura do upside de preços.
“A administração segue confiante em operar próxima ao teto do guidance de custos, e o valuation permanece atrativo, com geração de caixa robusta mesmo a preços à vista (spot)”, aponta. A recomendação também é sustentada por fundamentos robustos do mercado de minério de ferro e vantagens competitivas claras frente aos pares.
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