Tyson fecha planta de carne bovina em Nebraska: quais os impactos para frigoríficos?

Tyson Foods anunciou um grande corte estrutural na capacidade de produção de carne bovina nos EUA

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Gado em instalação nos arredores de Ciudad Juarez, no México
10/2/2025 REUTERS/Jose Luis Gonzalez/Arquivo
Gado em instalação nos arredores de Ciudad Juarez, no México 10/2/2025 REUTERS/Jose Luis Gonzalez/Arquivo

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Em meio a uma fase historicamente difícil, com rebanho no menor nível em mais de 70 anos e margens dos frigoríficos em patamares mínimos, a Tyson Foods anunciou um grande corte estrutural na capacidade de produção de carne bovina nos EUA, com o fechamento da planta de Lexington e a redução da produção em Amarillo para um único turno, marcando o primeiro grande ajuste deste ciclo. A planta da Tyson de Lexington está localizada perto da Interestadual 80, no Nebraska, em plena região produtora de pecuária de corte.

“Em um típico dilema do prisioneiro, a empresa que reduz capacidade arca com o custo, mas toda a indústria se beneficia com a racionalização, dinâmica já vista em ciclos anteriores”, comentam analistas do BTG.

A capacidade anual dos EUA é estimada em 35 milhões de cabeças, com utilização de 87%, e a decisão da Tyson reduz a capacidade nacional em cerca de 2,2 milhões de cabeças, elevando a utilização para 93%. A comparação regional é mais relevante, pois o gado não se desloca bem, tornando o setor altamente localizado. Nebraska responde por 22% do abate e o Texas por 17%, e assumindo 80% de utilização das plantas da Tyson, o abate nesses estados cairia 17% e 13%, aumentando a oferta para concorrentes e melhorando margens locais.

Segundo BTG, a National Beef, da Marfrig, deve se beneficiar parcialmente, mas os maiores ganhos recaem sobre a JBS (BDR: JBSS32), que possui plantas tanto no Nebraska quanto no Texas.

Em fevereiro, a JBS já havia anunciado investimento de US$ 150 milhões em sua planta de Cactus, Texas, agindo de forma anticíclica e se posicionando bem para o próximo ciclo de liquidação. O BTG reitera recomendação de compra para ações da JBS.

Na avaliação do Bradesco BBI, a medida ajuda a limitar novas quedas nas margens dos frigoríficos, mas ainda não cria as condições para uma recuperação significativa, dada a atual restrição na oferta de gado.

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Analistas do BBI acreditam que os cortes anunciados devem ajudar a evitar uma maior deterioração das margens em 2026, em vez de desencadear um processo de recuperação significativa, dada a atual escassez de oferta de gado. Entre os grandes frigoríficos, a JBS possui as plantas de abate mais próximas tanto de Lexington quanto de Amarillo, da Tyson, o que provavelmente a torna a maior beneficiária.

No geral, o banco vê os ciclos de proteína mais fracos, limitando os catalisadores de curto prazo para as ações em todo o setor.

Ainda assim, em termos estruturais e relativos, a JBS permanece sendo a única ação de proteína com classificação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), negociando com desconto em relação aos seus pares, apesar de sua maior diversificação e geração de caixa.

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Felipe Moreira
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