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SÃO PAULO – Recentemente, o dólar comercial tem sido alvo de discussões e especulações quanto a sua tendência de desvalorização e, principalmente, até qual suporte o mercado aceita esse movimento. A divisa norte-americana iniciou o ano de 2007 cotada a R$ 2,145, e veio apresentando uma trajetória de queda ao longo destes quatro primeiros meses do ano, encontrando, contudo, alguma resistência em perder o patamar de R$ 2,02 (mínima desde março de 2001).
Se por um lado, a favorável visão dos investidores internacionais frente às premissas macroeconômicas do Brasil (expressa principalmente no risco-país, que renovou suas mínimas históricas no último mês) e o forte fluxo cambial favorecem a apreciação do real frente o dólar; por outro, o Banco Central (BC) passou a atuar mais intensamente no mercado cambial, inclusive mudando sua estratégia e passando a não anunciar com antecedência suas intervenções.
Nesse contexto, o que se pode esperar para o dólar daqui para frente? Qual é o real poder das intervenções do Banco Central no mercado cambial? A moeda dos EUA pode atingir patamares abaixo dos atuais ou a resistência do mercado falará mais alto?
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Mercado é soberano e poder do BC é limitado
Enfático em sua opinião, Didi Aguiar, analista técnico da Doji Star Four Gráficos, acredita que o poder do Banco Central (BC) de conter o rompimento deste patamar de R$ 2,00 com seus leilões de swap cambial reverso é momentâneo, e tem impacto apenas no curto prazo.
Para Aguiar, desde que o país opera com câmbio flutuante, o Banco Central nunca conseguiu segurar as tendências de alta ou baixa do mercado, não será agora, com sua intervenção mais ativa, que este cenário se reverterá.
“O mercado é soberano. Ninguém é capaz de conter isso, é como uma lei física, uma lei da natureza. É uma lei econômica, é a lei da oferta e da procura, é isso que determina preço”, diz o analista técnico.
Mercado busca R$ 1,98
Em sua análise, Didi Aguiar afirma que, não fossem as recentes atuações do BC, o dólar já teria atingido o patamar de R$ 1,98. “Esse patamar é um claríssimo objetivo do mercado”.
Nas projeções do analista, se o dólar vier a perder essa faixa de R$ 1,98, o novo suporte que a moeda norte-americana buscaria seria R$ 1,85.
Aguiar ainda aposta que, em um horizonte de cinco a dez anos, o dólar pode cair ainda mais, para um patamar entre R$ 1,10 e R$ 1,20, “obviamente, caso o mercado desencadeie suas metas e não ocorra, neste período, nenhuma crise econômica”, ressalva o analista.
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Mercado resiste em aceitar dólar abaixo dos R$ 2,00
Para Alessandra Ribeiro, analista da Tendências Consultoria, o câmbio não deve fechar o ano abaixo dos R$ 2,00. A analista acredita que a concentração positiva de fluxo neste início de ano deve se amenizar nos próximos meses, o que não permitirá uma queda maior do dólar em relação ao real. As projeções da Tendências são de que a moeda norte-americana encerrará 2007 cotada a R$ 2,02.
A visão da analista está em linha com as projeções do mercado contidas no último relatório Focus do Banco Central.