“Tocar fogo no Brasil não interessa a ninguém”, diz Leonardo Picciani

Leonardo Picciani, líder do PMDB na Câmara dos Deputados, dirige a maior bancada da Casa. Protagonista da resistência ao impeachment de Dilma Rousseff, ele fala sobre economia, reformas, impeachment e TSE.

Richard Back

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Olá,

Bem-vindos ao Conexão Brasília, blog do Infomoney, com o qual tenho o imenso prazer de colaborar. 

Nestes tempos de tanta conturbação política, escrever um blog é um desafio.

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Aqui vamos procurar mostrar um pouco do que pensam os políticos em Brasília, ponto central das grandes decisões nacionais. Estaremos pelo Congresso Nacional e na Esplanada dos Ministérios buscando informações que ajudem a explicar como e porque são tomadas atitudes por aqui.

Começamos os trabalhos do Blog entrevistando um personagem que protagoniza o cenário político nacional, o líder do PMDB, Leonardo Picciani. Segue aí abaixo nosso bate-papo com o líder.

Conexão Política: O senhor poderia fazer um panorama do quadro econômico desse ano?

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Leonardo Picciani: Eu acho que o quadro econômico do Brasil inspira cuidados. Você tem a possibilidade de ter mais um ano de decréscimo do crescimento do país, e isso é bastante grave porque vai virando um efeito cascata. Eu creio que resolver a questão fiscal é algo muito importante para a retomada da confiança e dos investimentos, e a partir disso voltar a gerar emprego e voltar a gerar renda. Acho a reforma da previdência uma reforma estrutural, precisa ser feita, não resta dúvida para ninguém que esta fórmula atual não conseguirá ser paga em um futuro breve. Em alguns estados e municípios ela já não se viabiliza mais, então é preciso mexer. Agora, é preciso fazer um debate concreto, tem que ter o envio de um projeto para em cima de cada tema se discutir. Agora, é um tema controverso, que tem resistências na sociedade, então precisa ser tratado com a profundidade que precisa.

A DRU acho que é um consenso, acho que não se deve, ainda mais em um momento como esse, engessar tanto o orçamento, é algo fundamental.

CP: Na verdade o movimento adequado seria para ter mais flexibilidade…

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LP: Exatamente, mas tem que ter cuidado. Hoje na pauta tem uma proposta que engessa mais ainda o orçamento. A CPMF é uma matéria controversa. Há um mal humor com aumento de tributos, e com razão, nós temos uma carga tributária alta no país. No entanto, é necessário ter uma solução para o desequilíbrio fiscal. Se não for a CPMF, é preciso encontrar qual é esse caminho de solução. Só cortes não resolvem, até porque a parcela que é discricionária é menos que 10% do orçamento, então é difícil ser cortado. Cortar mais só com reformas que permitam cortes de despesas obrigatórias.

CP: Tem ficado cada vez mais difícil de fazer cortes agora que o limite está cada vez menor, não?

LP: Sim, está cada vez mais no “osso”. Então eu creio que é preciso fazer essa discussão. Antes de dizer se é a favor ou contra a CPMF, é preciso saber o seguinte: Como é que resolve o desequilíbrio fiscal.

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CP: E qual a sua avaliação sobre o processo de impeachment?

LP: Acho que perdeu força, acho que não avança. Primeiro por falta de fundamento jurídico, e segundo por falta de apoio político. Não há uma mobilização na sociedade. Mas sobretudo, está ficando claro de que ele foi um movimento absolutamente político daqueles que não se c conformaram com o resultado das eleições. Impeachment não é isso. Tem que ter razão, tem que ter o cometimento de um crime de responsabilidade que não se comprovou, não se configurou. Eu creio que o melhor para o país é zerar logo essa página. O governo precisa fazer mais, tem muitas falhas, sobretudo na qualidade do gasto público, e a oposição também precisa fazer a sua parte, sair um pouco da pura e simples disputa política e tratar dos temas com uma visão mais de estado, de nação, e não apenas com interesse político eleitoral.

CP: Até porque eles irão governar um dia, é a alternância democrática

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LP: É, e tocar fogo no país, quebrar o Brasil não interessa a ninguém. A oposição governa vários estados importantes, cidades importantes.

CP: Líder, você como membro da direção nacional do PMDB e líder da bancada na Câmara, como você vê esse processo no TSE?

LP: Eu particularmente não acho que tenha chance de prosperar. As contas já haviam sido julgadas e aprovadas. O argumento que me causa muita estranheza é que eventualmente algumas empresas poderiam ter doado dinheiro de corrupção para a campanha. Só que essas empresas foras as mesmas que doaram a praticamente todos os candidatos que disputaram a eleição presidencial, ao menos aos principais. Não é crível que uma empresa tenha doado para uma campanha dinheiro de corrupção e para a outra tenha doado dinheiro de honestidade. Ou tudo é de corrupção, ou nada é. Creio que esse é o grande tema a ser debatido nessa questão do TSE, e eu sou daqueles que acredita no seguinte: Tem que valer o resultado das urnas. Tem que governar quem ganhou as eleições para governar, senão não há estabilidade política e das instituições.

CP: E sobre a questão da materialidade da presidente?

LP: Exatamente. Assim você faz o debate político ficar mais importante que o debate administrativo, que o debate social, econômico. O debate político no momento eleitoral deve ser sim o mais importante, mas passado esse momento, deve dar lugar a uma outra agenda.

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Richard Back

É coordenador de macro sales e análise política da XP Investimentos. Acompanha o cenário brasileiro há uma década e especializou-se também em política internacional.