Lula reúne ministros e conversa com Lira para discutir MP da reestruturação em dia decisivo

Os dois podem se encontrar pessoalmente ainda nesta quarta, mas a reunião não está confirmado ainda

Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em primeira reunião ministerial no Palácio do Planalto (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em primeira reunião ministerial no Palácio do Planalto (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Publicidade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu reunião com ministros no Palácio da Alvorada e conversou por telefone com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para discutir a votação nesta quarta-feira da medida provisória sobre as mudanças na estrutura do governo, que corre o risco de perder a validade caso não seja aprovada pelo Congresso.

Pela manhã, Lula reuniu-se com os ministros da Casa Civil, Rui Costa; das Relações Institucionais, Alexandre Padilha; e o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), para discutir o assunto, segundo uma fonte. Posteriormente, Padilha esteve em uma reunião com Lira e líderes partidário da Câmara na residência oficial do presidente da Casa.

Mais cedo, o próprio Lula telefonou para o presidente da Câmara e ambos conversaram sobre a articulação política no Congresso, que está com muitos problemas, segundo uma fonte com conhecimento das tratativas. Os dois podem se encontrar pessoalmente ainda nesta quarta, mas a reunião não está confirmado ainda.

A intenção de Lira é tentar votar a MP nesta quarta, mas depende de os líderes partidários conseguirem convencer as bancadas a aprovar a medida provisória, disse essa fonte.

O governo já sofreu uma derrota durante a tramitação da MP em comissão, quando o texto original foi bastante modificado. O texto inicial enviado ao Congresso criava ministérios para áreas consideradas estratégicas pelo governo, como a dos Povos Indígenas, entre outros, mas foi alterado no decorrer de sua tramitação, esvaziando prerrogativas e competências do Ministério do Meio Ambiente, por exemplo.

A votação da proposta foi adiada na terça e, caso a MP não seja votada até quinta-feira na Câmara e no Senado, perderá validade, o que desmontaria todo o desenho do governo Lula, como o desmembramento do Ministério da Economia, por exemplo.

Continua depois da publicidade

Antes do adiamento da votação, em sinal de afastamento do governo, Lira disse que não poderia garantir resultado favorável na votação da MP e lembrou que havia muitas emendas que poderiam alterar ainda mais a proposta.

Nos bastidores, informou uma fonte do Planalto, a votação é entendida como recado direto de Lira, incomodado com manifestações públicas via redes sociais do senador e desafeto político em Alagoas Renan Calheiros (MDB). Aliado de Lula, o senador é pai do ministro dos Transportes, Renan Filho.

Calheiros tem publicado mensagens em que se refere a Lira como “caloteiro”, o acusa de corrupção e de ter agredido a ex-esposa. Indignado, Lira estaria condicionando seu apoio à MP à demissão do ministro, revelou a fonte. À Reuters, o presidente da Câmara negou que tenha solicitado a saída do ministro: “Não pedi a cabeça de ninguém, mas quero respeito”, disse.

Continua depois da publicidade

Na terça, o governo já sofreu um duro revés com a aprovação pela Câmara do projeto do marco temporal para a demarcação de terras indígenas.

Impulsionadas pela bancada ligada ao agronegócio e por alas do governo, a aprovação do marco temporal explicita não apenas a nova correlação de forças com um Congresso conservador e ávido por se mostrar protagonista, mas também exibe a musculatura política do presidente da Câmara, que patrocinou a matéria.