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Muda o mês, mas as preocupações do mercado são as mesmas. No primeiro dia de dezembro, agentes chamam a atenção para a transição para o novo governo, com a discussão da PEC da Transição no Senado, e a falta do nome que estará à frente do Ministério da Fazenda.
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca acomodar o apetite por cargos de partidos do Centrão na tentativa de garantir que a proposta seja aprovada pelo Congresso em tempo exíguo.
Investidores repercutem as falas consideradas mais dovish (menos inclinadas ao aperto monetário) por analistas de mercado de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), na véspera (30).
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O mercado também acompanha a divulgação do núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) nos Estados Unidos, que subiu 0,2% em outubro na comparação mensal e 5% na anual, levemente abaixo do esperado.
Agentes financeiros monitoram ainda dados de atividade com a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB), que cresceu 0,4% no terceiro trimestre deste ano frente ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a expansão foi de 3,6%. Ambos os números ficaram abaixo do esperado pelo consenso Refinitiv.
As taxas oferecidas por títulos públicos do Tesouro Direto operam com movimento misto, por volta das 15h, nesta quinta-feira (1) em comparação com a quarta-feira (30). Papéis atrelados à inflação registram recuo nos juros e chama atenção que todos os títulos passaram a oferecer retornos abaixo de 6% ao ano. Ao mesmo tempo, papéis prefixados apresentam estabilidade nos retornos.
O movimento é oposto ao registrado no mercado futuro de juros hoje, que fechou com alta nas taxas ao longo de toda a curva. Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed, afirma que a abertura (alta dos juros) é uma reação às declarações do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, e do ex-ministro Fernando Haddad, que compõem a equipe de transição, a respeito do adiamento do anúncio do nome que vai ocupar o Ministério da Fazenda.
“Isso é recorrente. O mercado vem desconfortável com a falta de informação, sem contar o texto da PEC da Transição, que não é dos melhores. Não saber quem será o [próximo] ministro repercute mal no mercado de juros”, diz Jorge.
Na última atualização do dia, papéis atrelados à inflação entregavam um juro real de até 5,99% ao ano. Tal remuneração era oferecida pelo Tesouro IPCA+2045, abaixo dos 6,05% vistos um dia antes.
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Papéis prefixados, por sua vez, ofereciam juros de até 13,08% ao ano, no horário, caso do título com vencimento em 2025. Na véspera, o retorno entregue pelo papel era de 13,09%.
Dois papéis permaneciam com taxas abaixo de 13%: o Tesouro Prefixado 2029 e o 2033, com cupom semestral, nos valores de 12,79% ao ano e de 12,75% ao ano, respectivamente, no mesmo horário.
Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para a compra no Tesouro Direto na tarde desta quinta-feira (1):
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Aposentados
O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quinta-feira , por 6 votos a favor e 5 contrários, a favor da “revisão da vida toda” do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Com isso, aposentados terão o direito de usar toda a sua “vida contributiva” para calcular o valor do seu benefício — não apenas os salários após julho de 1994, como ocorre atualmente.
Os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Carmen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber e Marco Aurélio votaram votaram contra um recurso do INSS. Ficaram vencidos os ministros Nunes Marques, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.
A regra tem o potencial de beneficiar pessoas que, antes de julho de 1994, tinham média salarial. A União diz que o impacto da revisão poder ser bilionário (de R$ 46 bilhões ao longo de 10 anos, segundo a equipe econômica do governo).
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PIB
O Produto Interno Bruto (PIB) variou 0,4% na passagem do segundo para o terceiro trimestre, o que seria o maior patamar da série histórica, iniciada em 1996.
O PIB, que é a soma dos bens e serviços finais produzidos no Brasil, chegou a R$ 2,544 trilhões em valores correntes, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (1).
No terceiro trimestre, a expansão foi influenciada pelos resultados dos serviços (1,1%) e da indústria (0,8%), segundo o instituto. Já a agropecuária recuou 0,9% no período.
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Sob a ótica da despesa, os investimentos (formação bruta de capital fixo) cresceram 2,8% frente ao segundo trimestre. Já o consumo das famílias aumentou 1,0%, enquanto o do governo cresceu 1,3%.
No setor externo, tanto as exportações (3,6%) quanto as importações (5,8%) tiveram expansão em relação ao segundo trimestre de 2022.
Formação de ministérios e novo ministro da Fazenda
A equipe do presidente eleito Lula (PT) estuda dividir em três o Ministério da Fazenda. Além da manutenção da pasta, seriam recriados os ministérios do Planejamento e da Indústria e Comércio.
Integrante do Grupo Técnico de Economia do futuro governo, o ex-ministro Nelson Barbosa afirmou ontem que o fatiamento foi um pedido do comando da transição, coordenada pelo vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB).
Também na cena política, o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), reforçou que Lula “não está com pressa em definir ministério”.
“Eu acho que ainda demora um pouquinho mais. O presidente não está com pressa para definir ministério, agora é hora de ouvir bastante”, disse, questionado pelo Estadão se o anúncio do ministro da Fazenda será feito ainda nesta semana.
Favorito para assumir o Ministério da Fazenda, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou ontem (30) que a PEC da Transição, além de abrir espaço fiscal no Orçamento do ano que vem, servirá para ganhar tempo necessário para aprovar a reforma tributária no Congresso Nacional e, então, encaminhar ao Parlamento um novo arcabouço fiscal.
“Estamos, justamente, ganhando com a PEC de transição o tempo necessário para abrir discussão com sociedade sobre âncora fiscal. Temos perspectiva boa de aprovar a reforma tributária ano que vem”, declarou Haddad em Brasília.
“O ideal é que, com reforma tributária, a gente paralelamente remeta para o Congresso um novo arcabouço fiscal, porque aí vai ser coerente com a reforma que terá sido feita”, acrescentou.
Estados Unidos: PCE e payroll
O foco dos investidores hoje se volta para as solicitações de seguro-desemprego semanal, antes do tão esperado relatório de empregos (payroll) de novembro, que será divulgado na sexta-feira (2).
Espera-se que o payroll forneça mais clareza sobre o mercado de trabalho e se ele continua desacelerando. Economistas consultados pela Reuters estimam que a economia criou 200 mil empregos em novembro, uma desaceleração em relação à outubro.
Destaque também para o núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) nos Estados Unidos, que subiu 0,2% em outubro na comparação mensal e 5% na anual, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (1) pelo Departamento de Comércio americano.
Com o resultado, o indicador ficou levemente abaixo da expectativa do mercado na base mensal (projeção de uma alta mensal de 0,3% e anual de 5,0%, segundo a Refinitiv).
O núcleo do PCE exclui os preços de alimentos e energia, que são mais voláteis. Considerando esses preços, a inflação de consumo americana (medida pelo PCE) foi de 0,3% na base mensal e de 6% na anual.
O índice de preços PCE é conhecido por capturar a inflação (ou deflação) em uma ampla gama de despesas do consumidor e refletir mudanças no comportamento do consumidor. Ele é observado de perto pelo Federal Reserve (FED) para auxiliar na condução da política monetária.
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